A importância da frustração no desenvolvimento infantil

Poucas coisas são mais dolorosas para os pais do que verem seu rebento frustrado ou infeliz, e, ao mesmo tempo, poucos sentimentos são tão importantes para pavimentar o caminho infantil em direção à maturidade. Viver algumas frustrações, conflitos e tristezas de vez em quando é, acima de tudo, uma necessidade pedagógica.

A frustração faz parte da vida e evitar isso a todo custo é errado. No mundo adulto, nem sempre haverá alguém para nos proteger contra as desilusões e os fracassos, portanto a adaptação a essa nova fase da vida será muito mais sofrida.

Mesmo as crianças mais felizes terão seus momentos de infelicidade, e não se pode, nem se deve tentar evitar isso. Ninguém consegue ter tudo na vida o tempo todo e isso precisa ser aprendido desde cedo. A frustração é o sentimento decorrente da não realização de um desejo, de uma vontade, ou seja, é a reação diante da expectativa não correspondida.

Nem sempre é fácil ver o filho chorando porque não ganhou seu presente sonhado ou não brincou com o melhor amigo, pois este não quis.

Ouvir não das pessoas, não ser atendido imediatamente pelo amigo, pelo professor  ou pelos pais também é uma forma de aprendizado.

“O convívio intenso da rotina escolar é terreno fértil para o desenvolvimento social da criança. Apesar de desgastantes, os conflitos do dia a dia servem de matéria-prima para a prática de apreciar e de cultivar bons hábitos e aprender a lidar com a frustração. Pais e professores se incomodam com as brigas, discussões e tensões entre os alunos e se esquecem de que a convivência social se mantém conflituosa mesmo na fase adulta. Viver em sociedade é ser capaz de compor diferenças de uma forma justa e equilibrada, o que demanda uma vida inteira de aprendizagem. A escola é, talvez, o maior espaço para esses processos”, segundo Iris Lisandra Boscolo – Psicóloga e orientadora Educacional.

Nesse ponto, vale reforçar o papel do conflito na educação da criança. É preciso encará-lo como algo da criança, a ser, resolvido por ela mesma.

No Colégio Anglo Morumbi, trabalhamos com programa O Líder em Mim, e um dos nossos objetivos é o de desenvolver as competências socioemocionais no aluno. Incentivar o aluno a ter autonomia para lidar com os conflitos por meio da escuta empática e do compreender primeiro para ser compreendido é uma das nossas premissas.

O professor é o mediador nessa relação, é o que promove a reflexão dos valores e do desenvolvimento da moralidade, a fim de estimular atitudes norteadas por princípios de boa convivência.  Nosso objetivo é desenvolver o diálogo, a expressão de sentimentos, promover o fortalecimento e a autoestima do aluno.

Vale ressaltar que o conflito é algo inerente ao processo de aprendizagem e da própria vida, sem o qual não nos desenvolveríamos. O conflito difere-se da violência e pode ser compreendido como um processo envolvendo dilemas, desestabilização, testes e incertezas que todo o ser humano precisa para evoluir. Devemos aproveitar os conflitos como uma oportunidade de auxiliar as crianças a reconhecerem os pontos de vista dos outros e a aprenderem, aos poucos, como buscar soluções aceitáveis para todas as partes envolvidas.

Saber lidar com os sentimentos e angústias é a chave para uma formação de um adulto que sabe se relacionar e manter vínculos afetivos com as pessoas.

Telma de Souza,

Coordenadora Pedagógica do Fundamental I

Colégio Anglo Morumbi